quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Classes sociais e desigualdades



Quando um determinado tema versa sobre desigualdades sociais, a visão generalizada é situar o topo da pirâmide e a sua base constituída pelas camadas mais carentes da população. Até certo ponto é compreensível essa visão relativa, pois seria conveniente incluir em tais disparidades as classes médias brasileiras, que, a nosso ver, não é única, na medida em que varia, às vezes bastante, a renda dos assalariados assim classificados.

Não obstante, a prioridade maior deve ser a população mais pobre, destituída de alguns direitos básicos previstos pela Constituição, sem acesso a bens desfrutados por outros segmentos, a partir de condições elementares como, por exemplo, saneamento básico, sistema de saúde eficiente, escolarização etc.

Enquanto convivemos com problemas de difícil solução, somos mencionados pelos meios de comunicação internacionais como uma nação emergente, junto à Rússia, China e Índia, os chamados BRICs.

Não seria o caso de compararmos as nossas deficiências às existentes naqueles países, pois, as semelhanças são evidentes, variando de nível, como na Índia, onde o fosso demarcatório das desigualdades é mais profundo, especialmente se atentarmos para os 1,1 bilhão de indianos. Nos últimos anos, o Brasil aumentou o número de empregos formais, de 34,3% em 2006 para 35,7% em 2007, o melhor resultado obtido a partir de 1967, quando o levantamento estatístico se iniciou.

Outro dado positivo apurado pelo IBGE foi a diminuição da diferença entre ricos e pobres, a partir de 1990, tendo os salários dos trabalhadores evoluído para R$ 960, o maior dos últimos oito anos, apesar de inferior aos R$ 1.023, quando da implantação do Plano Real.

Vários setores melhoraram. Acesso a bens e serviços, maior quantidade de domicílios com computadores, internet, eletrodomésticos etc., inclusive outras melhorias como saneamento básico ampliado para segmentos mais carentes.

Há outro aspecto que merece atenção. O crescimento da classe média nos anos recentes, o que, para nós, é questionável, pela ausência de critérios capazes de definir quem se situa nesse segmento da população, cuja classificação está desfocada da realidade brasileira. O argumento sobre a ascensão das classes C e D, tornando-as integrantes desse estrato porque obtiveram algumas melhoras, parece-nos equivocado.

Na verdade, mesmo o País tendo avançado, do ponto de vista econômico, ainda estamos muito distantes de uma situação equilibrada, em que as grandes desigualdades tenham diminuído a ponto de conseguirmos a aproximação entre extremos.

Fonte: Folha de PE

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