
Nossos pais viram filhos quando envelhecem. E tudo que fizermos por eles, será quase nada diante do que fizeram por nós a vida inteira. Essa deveria ser a regra. Infelizmente, muitos filhos não pensam assim. Aí, a velhice, que poderia ser um privilégio para aqueles que atravessam o tempo e conquistam a longevidade, acaba sendo uma tragédia. Sim, porque muitos mergulham num verdadeiro poço de solidão, pela indiferença, descaso e até abandono dos filhos, conseqüentemente, dos netos, a quem tanto amam, apesar dos possíveis danos físicos e até psicológicos provocados pelo tempo. Afinal, essa é a única referência que lhes resta.
Mas parece que os velhos não servem pra mais nada e se tornam apenas um fardo ou um problema, principalmente, quando ficam enfermos. Mesmo quando carregam o mesmo amor pelos seus e a sabedoria que só o tempo é capaz de nos emprestar.
Ninguém lembra o quanto a vida se repete e que, em seu silêncio, eles guardam tantas histórias e tanta sapiência. Quantos dos nossos velhos ficam tristes, tornam-se depressivos e até perdem a vontade de viver, como se estivessem apenas esperando a hora de partir, por puro abandono.
Felizes ou menos infelizes são os que ainda conseguem desfrutar do convívio familiar e das raras atenções que lhes são dispensadas. Mas não são poucos os “execrados”, jogados em asilos, às vezes, por imposição de noras, genros e até de netos. Como jornalista, já testemunhei a solidão desses desafortunados, que esperam uma visita, inutilmente, semanas após semanas e ainda justificam a ausência de familiares como se quisessem se enganar ou
fugir da certeza de tanto descaso para sofrer menos.
Coitados dos que ficam enfermos. Muitos deles passam meses e até anos jogados em quartos de hospitais ou até de sua própria casa, nas mãos de enfermeiras, como se não existissem. E elas acabam virando sua própria família e com quem dividem sua tristeza e seu drama. Na família, passam a ser um capítulo à parte, sendo lembrados apenas na hora de pagar as
despesas, que sempre “pesam muito”, mesmo que tudo seja pago com seu próprio dinheiro, vindo de alguma renda ou aposentadoria, que deveria sobrar.
Como é possível entender tanto abandono, indiferença e até crueldade de certos filhos por aqueles que lhes deram tudo a vida inteira; zelo, cuidado, sobretudo, o único amor incondicional, aquele que nada pede em troca, apenas dá? Como não lembrar de tantas renúncias que fizeram por nós? Sinceramente, não sei. Será que esses filhos esquecem que vão envelhecer também, se não morrerem antes, e que a forma com que tratam seus pais será o maior exemplo de como devem ser tratados pelos próprios filhos?
Aí não vão poder se queixar de nada, apenas lembrar do que prega a Bíblia: olho por olho, dente por dente. E assim sua velhice será igualzinha àquela que proporcionaram aos seus pais, só porque não souberam amar o quanto foram amados.
Fonte: Folha de PE
Mas parece que os velhos não servem pra mais nada e se tornam apenas um fardo ou um problema, principalmente, quando ficam enfermos. Mesmo quando carregam o mesmo amor pelos seus e a sabedoria que só o tempo é capaz de nos emprestar.
Ninguém lembra o quanto a vida se repete e que, em seu silêncio, eles guardam tantas histórias e tanta sapiência. Quantos dos nossos velhos ficam tristes, tornam-se depressivos e até perdem a vontade de viver, como se estivessem apenas esperando a hora de partir, por puro abandono.
Felizes ou menos infelizes são os que ainda conseguem desfrutar do convívio familiar e das raras atenções que lhes são dispensadas. Mas não são poucos os “execrados”, jogados em asilos, às vezes, por imposição de noras, genros e até de netos. Como jornalista, já testemunhei a solidão desses desafortunados, que esperam uma visita, inutilmente, semanas após semanas e ainda justificam a ausência de familiares como se quisessem se enganar ou
fugir da certeza de tanto descaso para sofrer menos.
Coitados dos que ficam enfermos. Muitos deles passam meses e até anos jogados em quartos de hospitais ou até de sua própria casa, nas mãos de enfermeiras, como se não existissem. E elas acabam virando sua própria família e com quem dividem sua tristeza e seu drama. Na família, passam a ser um capítulo à parte, sendo lembrados apenas na hora de pagar as
despesas, que sempre “pesam muito”, mesmo que tudo seja pago com seu próprio dinheiro, vindo de alguma renda ou aposentadoria, que deveria sobrar.
Como é possível entender tanto abandono, indiferença e até crueldade de certos filhos por aqueles que lhes deram tudo a vida inteira; zelo, cuidado, sobretudo, o único amor incondicional, aquele que nada pede em troca, apenas dá? Como não lembrar de tantas renúncias que fizeram por nós? Sinceramente, não sei. Será que esses filhos esquecem que vão envelhecer também, se não morrerem antes, e que a forma com que tratam seus pais será o maior exemplo de como devem ser tratados pelos próprios filhos?
Aí não vão poder se queixar de nada, apenas lembrar do que prega a Bíblia: olho por olho, dente por dente. E assim sua velhice será igualzinha àquela que proporcionaram aos seus pais, só porque não souberam amar o quanto foram amados.
Fonte: Folha de PE
2 comentários:
O texto é da psicóloga e jornalista Lourdes Coelho
O texto Nossos Pais Viram Filhos foi publicado na no jornal Folha de Pernambuco pela jornalista Lourdes Coelho
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