sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Internet de mais causa estresse


Darlan Barbosa, 26 anos, simplesmente não consegue dormir sem checar o e-mail. “Se eu fizer isso, fico com um pouco de insônia, dá uma sensação esquisita”, conta. Acostumado a ficar conectado à internet praticamente 24 horas por dia, o proprietário de uma rede de lan houses na Região Metropolitana do Recife confere o e-mail de meia em meia hora. E se pudesse medir em percentual o quanto da sua comunicação é pela internet, Barbosa garante que seria em torno de 80% a 90%. “É muito mais fácil se comunicar por e-mail, porque por mensagem de celular você depende da operadora”, compara.

Longe de ser impressão, essa espécie de ansiedade tecnológica de Darlan vem sendo alvo de vários estudos. O último divulgado foi realizado no Reino Unido e constatou que 44% dos britânicos, ou seja, quase metade deles, sofrem de uma “síndrome” que caracteriza a dificuldade de se conectar à internet. Chamado de “discomgoogolation” - numa mistura de doença com uma referência ao Google, sistema de buscas mais usado na web -, o problema foi diagnosticado por sintomas como aceleração das batidas cardíacas e excesso de atividade cerebral.

A pesquisa com 2,1 mil britânicos ainda concluiu que 76% deles não conseguem viver sem internet e 19% gastam mais tempo online do que no convívio com a família durante a semana. Outro estudo focou na necessidade do indivíduo de checar e-mail. Pesquisadores da Escócia observaram que fazê-lo com muita freqüência pode ser sinal de estresse e classificaram os ansiosos em três categorias: relaxados, orientados e estressados.

Segundo a pesquisa, os primeiros olham o correio eletrônico quando bem entendem, os orientados respondem às mensagens imediatamente e esperam o mesmo das pessoas, enquanto os estressados seriam os que se sentem pressionados a responder a todos os e-mails e não usam a ferramenta como instrumento útil para a vida ou trabalho. A conclusão tirada a partir de 177 questionários ainda constatou que as pessoas do tipo “estressadas” têm menos controle da própria vida.

O publicitário Leonardo Parnes, 23 anos, não considera o termo “estressado tecnológico” agradável aos ouvidos. No entanto, confessa que “não desconecta da internet um segundo por dia”. Para tal façanha, ele não abre mão do PC, de um laptop e de um iPhone, todos com conexão à web. Consumidor assíduo de informações do meio publicitário, ele acredita que a internet causa um efeito parecido com o da TV. “Tem gente que não começa o dia se não ver o jornal na TV pela manhã, a internet é meu meio de informação. Se eu ficar offline por uma hora e meia, sinto que não vou ter mais tempo de correr atrás dessa lacuna”, explica Parnes, que usa e-mail mais do que celular. “Minha mãe e minha namorada já se acostumaram a mandar e-mail em vez de telefonar para falar comigo”, ameniza.

Márcia Lira

Fonte: Folha de PE

3 comentários:

victor disse...

Internet é muito bom, mas temos que ter um certo cuidado. Ainda não me vi desesperado, por não ter aberto todos meus emails. Acho que ainda estou bem. Abraços

Jack disse...

Eu começo o dia lendo meus e-mails
Mas não por pressão estresse é curiosidade mesmo.

Sucesso

Abraço

jailson ribeiro disse...

Obrigado a todos pelos comentários e voltem sempre.

Jailson